Marvel Comics, a história secreta: é tudo sempre igual

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“O que fazer quando um lugar que você julgava como o paraíso da criatividade e dos personagens mais legais do mundo revela um lado que a iguala a qualquer outra corporação que visa ganhar dinheiro a qualquer preço?”

“Como lidar com as revelações sórdidas atribuídas ao cara que simboliza boa parte das coisas que foram importantes quando você tinha treze anos de idade?”

“Para onde seguir depois de ler que Kirby, Ditko e os irmãos Buscema, John e Sal foram sumariamente dispensados pelo local que ajudaram a engrandecer?”

Tudo isso passou pela minha cabeça depois que terminei de ler esse livro, um relato extremamente detalhado da trajetória da minha editora de quadrinhos preferida.

Naturalmente, apesar do livro tentar mostrar todos os lados da história, há um claro foco no que pode ser interpretado como exploração dos artistas. Mesmo os contratos da época parecem leoninos e deixam muito pouco para os autores das ideias e dos desenhos. Nem mesmo Stan Lee é legalmente dono de nada e só conseguiu vantagens financeiras por conta do temor de impacto institucional para a empresa e não por ela entender que ele merece ser recompensado.

Desde os tempos em que se chamava Timely, a Marvel é mostrada como uma empresa que buscava inovação e humanização dos herois quase ao mesmo tempo em que imaginava formas de pagar pouco aos artistas utilizados. De Jack Kirby a Grant Morrison, praticamente todo argumentista e desenhista teve que se submeter ao chamado “work-for-hire”, onde toda criação pertencia à editora e cabia ao artista pouco mais que um salário padrão.

Apenas poucos artistas conseguiram royalties e acordos realmente lucrativos como Jim Lee e Rob Liefeld, que voltaram a colaborar com a empresa em condições absurdamente vantajosas, mesmo depois de saírem para fundar a Image com o chato do McFarlane. No caso do Liefeld, achei isso o maior desperdício da história dos quadrinhos, mas essa é somente a minha opinião.

É em meio a esses ciclos de criatividade, exploração, estouros de vendas e administrações pouco ligadas a quadrinhos que a editora chegou à atual fase Disney, que eu conheço muito pouco. Alguns diriam que eu tenho sorte por não ler os quadrinhos deles atualmente, mas eu prefiro pensar que simplesmente não consigo mais conciliar as coisas, seja por conta do tempo para dedicar à leitura, seja pela falta de espaço para acomodar a minha coleção, atualmente estocada em algum lugar na casa da minha mãe. Ao menos é o que eu espero!

É uma leitura altamente recomendada, mesmo para não iniciados em gibis e herois.

Mesmo gente que se assusta com livros grandes (e este é bem grande) deve se divertir com as histórias contadas.

Como última observação, vale muito a pena mencionar a oportunidade que a Marvel teve para publicar os principais personagens da DC durante o tempo do Jim Shooter como Editor Chefe (por volta de 1984). O negócio não deu certo por conta de um processo antitruste movido pela First Comics que alegava que a concorrência seria desleal se uma empres possuísse mais do que 70% do mercado.

Como qualquer pessoa minimamente interessada em quadrinhos, pensar que encontros entre o Batman e o Wolverine poderiam ser corriqueiros é algo incrível demais para ser ignorado.

Maldita First!

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